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Saturday, December 01, 2007

Vênus e Terra - Fim Comum



Análise do primeiro ano de observações feitas pela sonda Venus Express conclui que Vênus foi ainda mais parecido com a Terra em sua origem, inclusive em relação à existência de água
Divulgação Científica


Separados no nascimento




29/11/2007


Agência FAPESP – De todos os planetas do Sistema Solar, Vênus é o mais parecido com a Terra, além de ser o mais próximo também na distância. Os dois têm massa, volume, área superficial, raio, densidade e velocidade de escape semelhantes.


Mas as similaridades na forma e origem não se estenderam para um ponto fundamental: a vida. Enquanto o clima permitiu que a Terra florescesse, Vênus se tornou um lugar infernal, com atmosfera composta por 96,5% de dióxido de carbono e nuvens de ácido sulfúrico, pressão atmosférica 92 vezes maior e temperatura superficial que ultrapassa os 450ºC.


Tentar entender o que deu errado, descobrindo os motivos não das semelhanças, mas das diferenças, é o objetivo da missão Venus Express, lançada em 2005 pela Agência Espacial Européia (ESA).


Em oito artigos publicados na edição desta quinta-feira (29/11) da revista Nature, diversos grupos de cientistas apresentam os resultados das mais extensas análises feitas até o momento sobre o vizinho terrestre. Chamá-los de gêmeos não é exagero, ainda que tenham crescido de modo tão diferente.


No artigo principal, que resume as conclusões, Hakan Svedhem, da ESA e colegas destacam que, apesar de Vênus não ter nem sombra da vida existente na Terra, as semelhanças entre os dois é o principal destaque – e foi muito maior na infância dos planetas.


“A constatação geral dos resultados do primeiro ano de operação da Venus Express é que as diferenças, particularmente em relação ao clima, entre Vênus e a Terra são muito menos misteriosas do que se pensava anteriormente”, destacaram.


“Essas diferenças são consistentes com teorias e interpretações que sugeriam que os dois planeta tiveram ambientes superficiais semelhantes no passado e que eles evoluíram diferentemente, com os oceanos terrestres convertendo a maior parte do dióxido de carbono atmosférico em rochas carbonadas e Vênus perdendo a maior parte de sua água para o espaço”, afirmaram os pesquisadores.


Segundo os estudos, as altas temperaturas, os ventos zonais (que circulam pela latitude) e a turbulência próxima ao equador de Vênus resultaram na densa atmosfera e na grande quantidade de gás estufa retida na atmosfera do planeta.


A superfície inóspita de Vênus teria sido causada pela quebra das grandes quantidades originais de vapor de água em moléculas de hidrogênio e oxigênio. A primeira, mais leve, escapou no espaço, enquanto o elemento mais pesado permaneceu e se oxidou na atmosfera, resultando na superfície quente e seca atual.


A Venus Express também descobriu algo intrigante: descargas elétricas. A questão é que os cientistas achavam que não deveriam existir raios no planeta por conta do tipo de nuvens, parecidas com as de poluição observadas na Terra. Além disso, apesar da proximidade, os astrônomos nunca observaram qualquer raio em Vênus. Entretanto, a sonda identificou ondas eletromagnéticas de baixa freqüência e curta duração que se estima tenham origem em descargas elétricas.


A missão européia está prevista para durar até 2013. Segundo os autores do estudo, futuras análises ampliarão não apenas o conhecimento a respeito de Vênus, mas também da própria Terra. Afinal, dizem, a atual atmosfera venusiana pode ser vista como uma extrapolação radical da terrestre, em ritmo de aquecimento promovido pelo efeito estufa. Ou seja, semelhantes na origem e no fim.


Os artigos podem ser lidos por assinantes da Nature em www.nature.com.




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Tuesday, November 13, 2007

Planeta Sobrevivente

Planeta Sobrevivente


13/09/2007

Agência FAPESP – Dentro de cerca de 5 bilhões de anos, o suprimento de hidrogênio no núcleo do Sol deverá se esgotar, causando um colapso gravitacional. A estrela se tornará então uma gigante vermelha, expandindo seu raio em mais de cem vezes, possivelmente “engolindo” Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.

Esse parece ser o destino inevitável dos planetas interiores de qualquer sistema cuja estrela chega à fase de gigante vermelha. Mas um grupo internacional de cientistas acaba de descobrir um caso singular: um planeta com uma órbita semelhante à da Terra que sobreviveu à expansão de sua estrela.

A descoberta, publicada na edição desta quinta-feira (13/9) da revista Nature, foi feita por uma equipe coordenada por Roberto Silvotti, pesquisador do Observatório Astronômico de Capodimonte, em Nápoles, na Itália.

O gigante gasoso descoberto pela equipe de Silvotti é um caso inédito de planeta em órbita de uma estrela no último estágio de evolução – a fase de anã branca –, o que indica que resistiu à expansão estelar.

De acordo com os pesquisadores, em sua fase intermediária de vida, a estrela, conhecida como V 391 Pegasi, tinha massa semelhante à do Sol. Mas, por motivos ainda desconhecidos, a estrela teve sua camada de hidrogênio dissipada no fim de sua fase de gigante vermelha.

Durante a fase intermediária, o planeta estava a uma distância de 1 UA (unidade astronômica) da V 391 Pegasi – isto é, a mesma distância entre Sol e Terra. A expansão da gigante vermelha multiplicou por cem o raio original da estrela, que englobou 70% (0,7 UA) da distância planeta-estrela.

Mas, mais tarde, por razões desconhecidas, a estrela perdeu quase metade da sua massa, tornando-se uma subanã tipo B. Segundo os pesquisadores, o próprio planeta sobrevivente pode ter alguma influência nesse fenômeno.

Com a perda de massa, a força gravitacional da estrela foi reduzida e o planeta migrou para uma órbita mais distante, na qual está atualmente, de 1,7 UA. Os cientistas estimam que o planeta agora completa uma volta na estrela a cada 3,2 anos.

Segundo os pesquisadores, a descoberta de um sistema tão incomum representa uma oportunidade para entender melhor tanto as estrelas como os planetas.

Os autores apontam que a formação de estrelas subanãs de tipo B é muito pouco compreendida: 98% das estrelas que atingem a fase de gigante vermelha não são submetidas à catastrófica perda de massa característica da V 391 Pegasi.

O artigo A giant planet orbiting the "extreme horizontal branch" star V391 Pegasi, de Roberto Silvotti e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.


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Wednesday, October 24, 2007

How to Cool the Globe

New York Times
Opinion


Op-Ed Contributor
How to Cool the Globe


By KEN CALDEIRA
Published: October 24, 2007

DESPITE growing interest in clean energy technology, it looks as if we are not going to reduce emissions of carbon dioxide anytime soon. The amount in the atmosphere today exceeds the most pessimistic forecasts made just a few years ago, and it is increasing faster than anybody had foreseen.

Even if we could stop adding to greenhouse gases tomorrow, the earth would continue warming for decades — and remain hot for centuries. We would still face the threat of water from melting glaciers lapping at our doorsteps.

What can be done? One idea is to counteract warming by tossing small particles into the stratosphere (above where jets fly). This strategy may sound far-fetched, but it has the potential to cool the earth within months.

Mount Pinatubo, a volcano in the Philippines that erupted in 1991, showed how it works. The eruption resulted in sulfate particles in the stratosphere that reflected the sun’s rays back to space, and as a consequence the earth briefly cooled.

If we could pour a five-gallon bucket’s worth of sulfate particles per second into the stratosphere, it might be enough to keep the earth from warming for 50 years. Tossing twice as much up there could protect us into the next century.

A 1992 report from the National Academy of Sciences suggests that naval artillery, rockets and aircraft exhaust could all be used to send the particles up. The least expensive option might be to use a fire hose suspended from a series of balloons. Scientists have yet to analyze the engineering involved, but the hurdles appear surmountable.

Seeding the stratosphere might not work perfectly. But it would be cheap and easy enough and is worth investigating.

This is not to say that we should give up trying to reduce greenhouse gas emissions. Ninety-nine percent of the $3 billion federal Climate Change Technology Program should still go toward developing climate-friendly energy systems. But 1 percent of that money could be put toward working out geoengineered climate fixes like sulfate particles in the atmosphere, and developing the understanding we need to ensure that they wouldn’t just make matters worse.

Think of it as an insurance policy, a backup plan for climate change.

Which is the more environmentally sensitive thing to do: let the Greenland ice sheet collapse and polar bears become extinct, or throw a little sulfate in the stratosphere? The second option is at least worth looking into.

Ken Caldeira is a scientist at the Carnegie Institution’s department of global ecology.


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